Uma nova falha de articulação da base governista levou o Congresso Nacional a adiar para terça-feira (2) a votação da manobra fiscal feita pelo governo para tentar fechar as contas deste ano. Os governistas não conseguiram colocar no plenário 257 deputados e 41 senadores para garantir a análise do projeto de lei que autoriza o governo a descumprir a meta de economia para pagamento de juros da dívida pública em 2014, o chamado superavit primário. O Congresso chegou a manter os 38 vetos da presidente Dilma Rousseff analisados em sessão realizada na terça-feira dia 25. Com isso, deputados e senadores poderiam concluir a votação do projeto de lei. No entanto, apesar de o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ter segurado por quase uma hora e meia a sessão para tentar dar quorum, não houve sucesso, sendo levado a encerrar os trabalhos diante da pressão da oposição.
No debate, Renan protagonizou com o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), um dos embates mais tensos do Parlamento. O líder do DEM discursava na tribuna quando Renan teria cortado sua palavra. Mendonça Filho continuou falando e começou a gritar com os microfones cortados que o presidente do Senado representava a "vergonha" do Congresso. Sem som, Mendonça deixou a tribuna, seguiu para a Mesa Diretora onde Renan comandava a sessão e cercou o peemedebista com o dedo em riste. No plenário, outros oposicionistas gritavam: você não vai calar ninguém! - Também exaltado, Renan disse ao líder do DEM que aquela postura não era permitida pela democracia, que aquilo era um absurdo e mandou ele se calar.Depois da confusão e ainda no plenário, Renan chegou a pedir desculpas pelo episódio e sugeriu que os oposicionistas fizessem o mesmo. No fim da sessão, Renan cumprimentou os oposicionistas no plenário.
